Registros de água fora dos
padrões de potabilidade em unidades de ensino de Mossoró vêm se acumulando ao
longo dos últimos anos. Documentos encaminhados ao Ministério Público do Rio
Grande do Norte (MPRN) mostram que, no ano passado, análises da Vigilância
Ambiental já haviam identificado contaminação em diversas escolas e Unidades de
Educação Infantil (UEIs) da rede municipal. Agora, novos exames realizados em
2026 encontraram problemas em duas escolas estaduais da zona rural, levando o
Ministério Público a recomendar a suspensão imediata do consumo da água.
Uma contagem feita a partir da
tabela apresentada pela própria Vigilância Ambiental, em documento encaminhado
ao MP, aponta pelo menos 44 amostras positivas para coliformes totais em 20
equipamentos municipais de educação durante 2025. Desse total, 11 amostras
também apresentaram Escherichia coli (E. coli), distribuídas por seis unidades.
O monitoramento é realizado no
âmbito do Programa de Qualidade da Água da Vigilância Ambiental. A Secretaria
Municipal de Saúde informou ao Ministério Público que as análises seguem os
parâmetros previstos na Portaria GM/MS nº 888/2021, que regulamenta a qualidade
da água para consumo humano.
Entre os equipamentos municipais
em que o relatório registra presença de E. coli estão a UEI Maria Dolores
Fernandes, a Escola Municipal Alcides Manoel de Medeiros, a Escola Municipal
Marineide Pereira da Cunha, a UEI Maria da Conceição Vidal, a Escola Municipal
Professora Celina Guimarães e a UEI Mário Negócio.
Um dos casos que chama atenção é
o da Escola Municipal Marineide Pereira da Cunha. Em fevereiro de 2025, duas
amostras — coletadas em torneira ligada à caixa d’água e em filtro — já
apresentavam coliformes totais, embora sem E. coli. Em agosto, novas análises feitas
na mesma unidade apontaram coliformes totais e E. coli em três pontos
diferentes: torneira do jardim/caixa d’água, bebedouro branco e bebedouro
prata.
Também foram registrados
resultados positivos para coliformes totais, sem detecção de E. coli, em pontos
de unidades como as escolas municipais José Benjamim, Rotary, Ronald Pinheiro,
Antônio Amorim, Monsenhor Gurgel, Raimundo Fernandes, Professor Manoel Assis,
Francisco de Assis, Raimunda Nogueira do Couto e Dinarte Mariz, além das UEIs
Maria Zélia, Júlio Galdino Neto, Dulce Escóssia e Francisca Clara.
O relatório municipal não indica, porém, que todas as amostras das unidades analisadas estavam contaminadas. Há registros de pontos com resultados negativos e também de coletas posteriores sem presença das bactérias. Na UEI Maria Zélia, por exemplo, após resultado positivo para coliformes em uma pia da copa em outubro, as três amostras coletadas em 29 de dezembro — bebedouro, torneira externa e rede — aparecem sem coliformes totais ou E. coli.
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