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    sexta-feira, 22 de maio de 2020

    Em assembleia virtual, professores avaliam a exclusão da educação produzida pelas aulas remotas sem estrutura e decidem acionar o MP


    Em uma assembleia histórica, a primeira em formato virtual, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum), reuniu aproximadamente 150 professores(as) e supervisores(as) nesta sexta-feira (22) em torno da implementação de aula remota por parte da Prefeitura Municipal de Mossoró na rede pública de ensino.
    Em meio a muitas dúvidas e questionamentos, foram abordadas dificuldades como: falta de estrutura de professores e alunos, baixa participação na devolução de atividades, a exclusão de todas as turmas com professores com aulas excedentes e de turmas com professores com contratos em fase final, além de muitas outras lacunas na portaria sore horas letivas e frequência.
    Ao final, foi encaminhado que o Sindiserpum irá provocar o Ministério Público; solicitar oficialmente da Prefeitura informações sobre os pontos obscuros nos documentos; construir a narrativa e levar o debate para a sociedade e que os professores devem fazer um levantamento de quantos alunos estão participando das aulas remotas e realizando as atividades propostas. Uma nova assembleia virtual foi marcada para próxima sexta-feira (29), às 16h.   
    A presidenta do Sindiserpum, professora Marleide Cunha, avaliou a situação: “Essa aula remota, instituída pela Secretaria de Educação de Mossoró é uma profunda e perversa exclusão do direito a educação para milhares de crianças e adolescentes. Será a exclusão dentre os já excluídos. Como famílias que anseiam desesperadamente por receber kits de merenda escolar, doação de cestas básicas, famílias que estão sem emprego, sem renda, vão ter acesso a computador, telefone celular com boa memória e internet? Como professores vão ensinar sem nenhuma estrutura de equipamentos disponibilizada pela prefeitura? Os professores estão usando sua internet, seus celulares, que não aguentam dezenas de grupos de alunos e milhares de mensagens por dia, inviabilizando as respostas. A Secretaria de Educação não deixa claro nos documentos como serão computadas as horas e frequência, como vai atender a alunos especiais ou o que vai fazer para garantir o ensino aos que estão invisíveis. A aula remota na educação infantil e ensino fundamental é excludente e ineficiente. É preciso ter honestidade para reconhecer que a pandemia tornou impossível oferecer 800h anuais no ano letivo de 2020 e continuar com isso é alimentar uma grande mentira. Os professores e professoras tem compromisso com a educação pública e não vão silenciar diante do desrespeito ao direito à educação. A assembleia virtual deliberou: o Sindiserpum deve acionar o Ministério Público. Não vamos compactuar com um ensino que não depende da vontade do estudante em aprender e que aumenta a desigualdade nas oportunidades de aprendizagem”.

    Publicado em 22 de maio de 2020. © Assessoria de Comunicação Sindiserpum. 

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